Acidentes da aviação militar há 75 anos nos Açores

Uma reportagem publicada há dez anos identificou dezenas de acidentes com aviões nos Açores, durante a II Guerra Mundial, na Base das Lajes, ocupada então pela RAF e pela USAAF, Forças Aéreas Britânica e dos Estados Unidos, respetivamente. (1)

dc_skymaster

A II Guerra Mundial deixou o mundo, em grande parte, destruído, mas, também em grande medida, a reconstruir-se, os poderes alterados com a crescente afirmação dos blocos político-militares americano e soviético e o desencadear da descolonização africana.

Curiosamente, em Portugal, tal como na vizinha Espanha, os regimes ditatoriais não sofreram logo mudanças. Apesar da neutralidade política assumida durante a II Guerra Mundial, esta provocou efeitos significativos nas Forças Armadas Portuguesas, em particular na Força Aérea. Com efeito, muitas aeronaves das forças inglesas, americanas e alemãs acabaram integradas na Força Aérea Portuguesa como unidades abatidas, após terem amarado ou aterrado em território português, devido a avarias, mau tempo ou falta de combustível.

Aqui nos Açores, como se sabe, não se verificaram ações diretas de guerra aérea, mas os Aliados tanto pressionaram o Governo Português, que obtiveram o acordo para a instalação de uma Base na Terceira, destinada a apoiar a guerra no Atlântico.

Esse acordo só foi formalizado com a Inglaterra em agosto de 1943 e os americanos tiveram que utilizar, durante mais um ano, a Base das Lajes a coberto do acordo luso-inglês, tal era a aversão de Salazar à nova potência mundial.

Só a partir de novembro de 1944, portanto, os EUA obtiveram permissão para se instalarem, substituindo as tropas inglesas, na Terceira, cuja Base passou a ser utilizada como “porta-aviões” no Atlântico Norte.

Nessa fase das operações militares, e até ao fim da guerra, em 1945, verificaram-se muitos acidentes com as aeronaves, devidos a avarias, a mau tempo, a incêndios e a derrapagens. A atividade aérea estava ainda muito longe dos padrões de segurança que hoje conhecemos.

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B17 – “Fortaleza Voadora”

Um estudo publicado em 2008 (1), identifica 8 aviões da RAF, 20 da USAAF e 1 da Pan Am, acidentados nos Açores, entre agosto de 1943 e maio de 1945. Entre as aeronaves que sofreram acidentes, contam-se 7 B-17 e 7 B-24, bombardeiros quadrimotores fabricados pala Boeing e conhecidos pelas míticas designações de Flying Forrasse e de Liberator, respetivamente, e 7 C-54, também quadrimotor, produzido pela Douglas, que, com a designação de Skymaster, foi mais dedicado às atividades de transporte e, na sua versão civil, veio a ser o mítico modelo DC-4.

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B24 – Liberator

(1) Carlos Guerreiro, Aviadores e aviões beligerantes em Portugal na II Guerra Mundial, Edições Pedra da Lua, Colares, 2008)

Publicado por José Adriano Avila

Quadro da aviação comercial aposentado. Formado em Comunicação Social. Estuda Relações Internacionais.

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