Guardadinho lá nas profundezas! Mas cuidado com a Erin!

Qual Erin!? A Brockovich! Pois então!

E falando ao jeito de um cidadão destas ilhas em vernáculo descuidado: “E a que cargas d’água vem agora essa sujeita à conversa!?” Pois. Aparentemente nada e “ainda por cima” (outra…) baptizada com um nome “retorcido” (mais outra…). Vou explicar.

Na edição de 9 de Setembro do Diário Insular lê-se notícia avassaladora assim titulada: “Proteger a vida e o ambiente e esperar 150 anos pela natureza”. Assim como quem escreve: “vai ali e não te demores”. Do que se trata é que um especialista americano, suavemente, vem dizer que a descontaminação de locais contaminados na Praia da Vitória (que os americanos causaram e que os portugueses andam há anos a fazer de conta que estudam o problema sem nenhuma conclusão e solução) já não é possível. Está bem escrito. Atrasaram-se! E o tal especialista vai esclarecendo (ou escurecendo) que a solução é preparar a rapaziada para esperar 150 anos (é isso! Um século e meio!). O celebrado aquífero e mais umas coisas pelo meio, deve ser fechado na zona contaminada e ficar o tal século e meio sossegadinho. E, que eu saiba, entre os causadores e os respectivos assistentes, não foi ninguém para a cadeia. Nem lá nem cá. Ou então, para castigo, condenados a beber da tal aguinha.

Entretanto – vamos dar um salto informativo! – na mesma edição (eu é que sublinhei) e no editorial antecipa-se o êxito da operação prevista entre Janeiro a Junho, entre Boston e Toronto , com destino à Terceira. 26.000 lugares! Uma possível entrada de uns 10 milhões de Euros! E, de repente, muito a propósito, e sempre na mesma edição, aparece o Vitor Sobral, com umas simpáticas chichas reluzentes, penduradas nas duas mãos a provocar o palato do freguês e que, segundo ele, serão a “estrela” do restaurante que vai abrir em Angra. Longe do tal aquífero. Não sei bem como é que funciona a lonjura…

E creio que é tempo de entrar a sujeita que dá pelo nome de Erin Brockovich e explicar “porque raio” (outra) me veio a lembrança à cabeça de a meter nesta conversa do aquífero. A razão de chamar a pequena – que no filme do mesmo nome era a Julia Roberts – é porque o tema do filme (uma história verídica) tinha a ver com uma grande e poderosa empresa (Pacific Gas and Electric Company) que foi condenada pela contaminação de águas numa determinada zona dos EUA. Só teve de pagar 333 milhões aos habitantes por razões que eu acho adequado não referir. Claro que não estou a insinuar que um qualquer daqueles felizes ocupantes dos referidos 26.000 lugares, depois de provar da tal chicha do Sobral e beber uma aguinha (mesmo que seja das Pedras), se lembre de fazer uma reclamação quando no dia seguinte, no regresso a casa, for acometido de um popularmente chamado “desarranjo de intestinos”. Será o que pode bem classificar-se, segundo a modernidade, de manifestação global de um desarranjo e tal. E se a Erin se meter no assunto, é mandar a conta para o Donald Trump. E se ele não pagar (o que é muito provável), temos os 10 milhões. Então?

%d bloggers like this: