Vista aérea ou visão do mundo?

Sempre que abordarmos um tema, aéreo ou não, será sempre uma visão, a nossa, uma interpretação. E cada um faz, constrói, o seu próprio quadro mental, de pouco vale lembrar o esforço de isenção e objectividade.

Vem dos primórdios do jornalismo a discussão sobre os critérios da informação a divulgar. No início da guerra fria, por exemplo, o jornalista americano Walter Lippmann invocava o conceito de Opinião Pública para criticar as teses do Embaixador George Kennan que influenciaram a criação da doutrina do presidente Truman para dirigir o relacionamento com a URSS.

O ensino universitário de jornalismo veio a adoptar, nos anos 80, a ideia, expressa pelo Professor espanhol Enrique de Aguinaga, de que os jornalistas, na seleção de informação a que procedem, atuam sobre o universo das notícias e outros conteúdos, logo sobre o próprio Mundo, criando uma ordem e uma imagem desse mundo. Ou seja, classificam e interpretam a realidade e, nesse processo, transformam essa realidade, contribuindo para gerar uma nova: a realidade da comunicação social.

O debate sobre a realidade e a informação levou uma grande volta: os jornais têm também publicação virtual e, no mesmo ciberespaço, surgiu a discussão em registos mais informais, menos profissionalizados, se assim se pode dizer, como é o caso dos blogs, mas igualmente atuantes sobre a seleção, o ordenamento e a interpretação do que se passa no mundo, logo contribuindo para a criação de um Mundo, o da informação, física ou digital, produzida como Comunicação Social.

Vem isto a propósito do nosso Vista Aéreamasculino por ser blog, e dos primeiros passos nele, que certamente indiciarão um estilo, uma interpretação, uma visão do mundo que nos rodeia: de tudo o que falarmos sempre ficará uma leitura marcada pelas características de cada um, pela sua visão do mundo: o homem e a sua circunstância, no dizer de Ortega y Gasset, nunca é demais referir, por banal que se tenha tornado a constatação.

Sempre que abordarmos um tema, aéreo ou não, será sempre uma visão, a nossa, uma interpretação. E cada um faz, constrói, o seu próprio quadro mental, de pouco vale lembrar o esforço de isenção e objectividade.

Partilhar o conhecimento e a visão do nosso mundo implicará sempre também um juízo sobre as voltas que esse mundo levou e sobre as decisões de quem o transforma de modo e com métodos de que eventualmente discordamos.

José Adriano Ávila